Podcast “Surra de Lúpulo”, ep. 63: Vinicius Kfuri, co-fundador da “Hocus Pocus”, comenta aceleração cervejeira e parceria com a ZX Ventures

Vinicius Kfuri no Surra de Lúpulo

No episódio 63 do nosso podcast sobre cervejas artesanais, Surra de Lúpulo, Vinicius Kfuri, co-fundador e head brewer da cervejaria “Hocus Pocus” desde 2014, comenta aceleração cervejeira e parceria com a ZX Ventures.

Kfuri conta que conheceu seu sócio, Pedro Butelli, em um curso de cervejas em 2012. Desde então, começaram a investir em equipamentos, criando novas receitas a cada final de semana. Na época, ambos se perguntavam se um dia conseguiriam fazer uma cerveja melhor que a vendida no mercado. Para diminuir os custos e economizar, investiram no aumento da produção chegando rapidamente aos mil litros/mês.

“Começamos a pensar na marca, nas referências do que gostávamos e quando vimos, éramos donos de uma fábrica própria”.

Aceleração Cervejeira

Falamos sobre a aceleração da “Hocus Pocus” com a “ZX Ventures” (unidade de inovação da Ambev). Vinicius conta que a maior preocupação era não abrir mão da independência que tinham, mantendo o modelo adotado desde a fundação. Em contrapartida, sabiam que estava na hora de uma parceria, tanto financeira quanto de mentoria.

“A gente já sabia que precisava de um financiamento e também achamos nessa parceria uma mentoria, mantendo nossa liberdade criativa. Mantivemos a qualidade, porém com mais controle e mais orçamento. A nossa cultura e valores não mudaram. A gente continua com nossa essência”.

Hocus Pocus no portfólio da Ambev

Vinicius explica que a marca continuará com a força de vendas, distribuição e marketing próprios, não estando nos planos atuais fazer parte do portfólio da Ambev. Para ele, o importante é acessar novos locais de vendas e se conectar com as pessoas responsáveis.

Lud comentou sobre a resistência que o mercado tem quanto a essas acelerações pelo receio da marca perder a própria independência. Vinicius comenta que no início eles achavam que não fazia sentido por terem uma outra percepção da companhia. Durante três anos de conversas, foram notando uma mudança de cultura na Ambev, vendo que o intuito também era fazer algo positivo, visando os lucros, mas também querendo ensinar e aprender com eles.

“Não tem aquisição, não tem dinheiro pros sócios. Têm dinheiro investido para aumentar o escalonamento, a produtividade”.

Hocus Pocus X Colorado

Falamos sobre a comparação entre a Hocus Pocus e a Colorado, adquirida pela Ambev em 2015. Vinicius explica que são negociações diferentes. Além disso, a Colorado tem como foco de vendas o consumidor de entrada nas craft beers.

Já a Hocus Pocus caminha pelo segmento high end. Vinicius conta que passou dois dias na cervejaria Colorado conhecendo todos os processos e cuidados da fábrica, principalmente com os fornecedores locais que também são impulsionados pela cervejaria a escalar suas produções.

“São propostas diferentes: a Colorado é da Ambev e a Hocus Pocus não. Fomos apenas acelerados pelo fundo de bebidas”.

Lud lembrou do papo com Bia Amorim, grande apreciadora da Colorado, sobre as vantagens da repetibilidade de uma receita quando fabricada numa estrutura maior e sobre a diferença que isso faz para uma cervejaria independente.

Ouça e relembre nosso papo com Bia Amorim.

Perguntamos pro nosso convidado o que o motivou a investir nesse movimento de aceleração. Vinicius conta que a empresa precisava de um funding para dar o próximo passo após sete anos investindo apenas capital próprio dos sócios e reinvestindo receita no próprio negócio. Outros fatores como ter um laboratório próprio, a mentoria oferecida na parte financeira e de marketing para entender melhor os próprios números e ainda o acesso a outras cervejarias e suas experiências também pesaram na decisão.

Lohn

Lud perguntou se Vinícius vê alguma similaridade da Hocus Pocus com a cervejaria Lohn que também foi acelerada em 2020, chegando à marca de 450 mil litros/mês.

Para ele, uma aceleração insustentável não é o caminho e sim continuar o planejamento estratégico existente antes da aceleração. Kfuri completa que a intenção não é ter um crescimento absurdamente alto, tampouco produzir nas fábricas da Ambev.

“A gente quer ser capaz de cumprir o que a gente já tinha planejado que é crescer, ganhar novos mercados, mas principalmente melhorar a experiência do cliente”.

“Vamos um passo de cada vez. Crescer aos poucos é uma forma de manter a qualidade e a cultura”.

Consequências da pandemia e futuro

Em 2018, a Hocus Pocus deixou de ser uma cervejaria cigana e passou a ter sua fábrica própria. Hoje conta com uma produção média de 50.000 litros/mês, crescendo de maneira gradual, segundo Vinicius.

Lud comentou sobre as medidas adotadas por eles durante a pandemia, criando novos canais de venda e atendimento ao cliente. Vinicius conta que seus principais clientes são os bares e restaurantes, um setor diretamente atingido pela pandemia. A solução principal foi partir pro B2C acessando o consumidor final.

“Foi importante ver que o time estava junto e empenhado. Hoje a gente tem uma plataforma bem melhor de e-commerce, ligamos pros PDVs e perguntamos como poderíamos ajudar, aumentando prazos de pagamentos, por exemplo. A cadeia inteira tem uma relação muito legal”.

Qualidade é nosso pilar principal. Posso garantir que nada vai mudar na nossa essência, no nosso nível de qualidade”.

Para um futuro próximo, Vinicius conta que a cervejaria pretende investir no processo de envelhecimento em barris, um sonho antigo da Hocus Pocus. A ideia é fazer algo muito bem planejado com alto controle de temperatura e umidade e uma seleção criteriosa dos barris com uma equipe dedicada exclusivamente a isso.

“A gente acredita que a cerveja é um veículo de comunicação. Escalar a produção não é só reduzir custos, mas também ajudar na transmissão da nossa mensagem”.

Para acompanhar nosso papo, Vinicius tomou uma Nothing da Hocus Pocus, Lud tomou uma IPA LOKA da Way Beer.

Surra de Lúpulo

Surra de Lúpulo

Toda quinta-feira um episódio novinho em folha falando sobre tudo relacionado a cerveja no Brasil e o Mundo.