Surra de Lúpulo Ep.105 – Escola Inglesa II com Rudy Favero

escola inglesa com rudy favero

No episódio 105 do Surra de Lúpulo, voltamos a estudar as escolas cervejeiras. Hoje, Ludmyla e Leandro se aprofundam na Escola Inglesa com um convidado especial Rudy Fávero, professor da Science of Beer Institute, Juiz da BJCP e Head-Brewer da UNIKA, cervejaria de Santa Catarina. 

 

 

Escola Inglesa: Ale x Beer

 

A gente sabe que a Escola Inglesa é uma escola bastante antiga e quem tinha responsabilidade de produzir eram as ale wifes, explica Rudy. 

 

A expressão Ale não estava ligada a ser um produto de alta fermentação ou baixa fermentação, era só um termo usado mesmo, seria o que a gente chama de cervejinha. Com o tempo, novos processos foram incorporados no dia a dia e o público foi conhecendo melhor o produto, a internacionalização aconteceu e a terminologia beer começou a ser dita. No livro The English housewife, o livro de 1615 diz que as fadas cervejeiras poderiam aumentar a vida da cerveja (na época, as Ales) usando lúpulo. Mas no Norte da Inglaterra não existiam plantações de lúpulo, então as ales eram mais comuns. Ao sul da Inglaterra havia mais lúpulo presente, então as Beer se tornaram mais habituais. 

 

A verdade é que a guerra de secessão espanhola fez com que os impostos subissem e consequentemente, o valor do malte também ficou mais caro. Naturalmente, o lúpulo se torna mais acessível e as Beers se tornam mais populares. 

 

Bitters e suas variações:

 

Foto de ELEVATE no Pexels

 

Rudy conta que as Bitter são as cervejas de estilo mais lupulado.

 

A primeira menção sobre as Bitters aconteceu em 1842 no jornal The Times. Elas são cervejas mais secas e tem amargor mais proeminente – e por conta da adição dos lúpulos, vai trazer muito mais equilíbrio dentro do produto. Em 1848, as Bitters começaram a cair em produção por conta da guerra e da dificuldade de conseguir a matéria prima (os lúpulos). É um produto que traz complexidade e equilíbrio em termos de malte.  

 

São 3 tipos de cerveja Bitter: Ordinary Bitter, Special Bitter e Extra Special Bitter.

 

A Bitter infelizmente é um tipo de cerveja que fica um tanto quanto esquecida no churrasco. Com isso, várias marcas do mercado cervejeiro se uniram para tentar educar seus consumidores a adaptarem seu paladar ao estilo inglês com o evento Bitter Day.

 

Porters e Stouts:

São bebidas que foram desenvolvidas em misturas de outros tipos de cervejas e por isso possuem uma intensidade de sabor. 

 

Produzir uma excelente Porter ou Stout nem sempre é uma tarefa fácil. Parafraseando o BJCP, as Porters não são cervejas extremamente escuras com malte torrado, são perfis mais caramelizados e avermelhados. Enquanto as Stouts são mais escuras e fechadas. Em termos de graduação alcóolica, elas se complementam. 

 

IPAs e suas especificações:

 

Martyn Cornell fala muito em seu blog cervejeiro que a IPA não foi criada unicamente para ser exportada. Ela era uma consequência de trazer um perfil sensorial mais palatável pros consumidores. 

 

Quando falamos da IPA inglesa se comparada à americana, a americana tende a ter um lúpulo mais de finalização, mais frutado. As inglesas brilham muito mais num perfil de caramelização. Elas são menos frutosas, mas são mais condimentadas – e vão se assemelhar mais com as próprias bitters. Costumo dizer que a escola inglesa é o jeito inglês de ser – é viver em equilíbrio. Não teremos um extremo de amargor ou extremo aroma, se comparado ao americano (que tudo é em excesso). Temos muito mais equilíbrio em todos os sentidos do produto. 

 

Matérias primas da Escola Inglesa

 

Rudy explica que o lúpulo resinoso está muito presente na escola inglesa. 

 

São lúpulos que não possuem um buquê aromático, mas no jeito inglês de ser – mais fechadinho.  

 

O perfil do lúpulo resinoso possui um sensorial amargo e fechado, com aroma mais apimentado e sabor mais de chá. É uma percepção subjetiva, mas é possível entender que é um perfil mais seco e amadeirado. 

 

Bibliografia: 

A Escola das Cervejas Britânicas, de Martyn Cornell 

The English Housewife, de Gervase Markham

Guia de Estilo BJCP

 

👉Ouça também Surra de Lúpulo: Escola Britânica das Cervejas com Celso Júnior

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🍺 O que bebemos durante o programa? Rudy bebe Strong Bitter, da Cervejaria Louvada, Leandro bebe Lambreta Stout, da PROA

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Toda quinta-feira um episódio novinho em folha falando sobre tudo relacionado a cerveja no Brasil e o Mundo.