Surra de Lúpulo Ep.115 – Microcervejarias Artesanais com Elisane Grecchi e Jéssica Rodrigues

microcervejarias

No Episódio de hoje do Surra de Lúpulo, Ludmyla e Leandro batem um papo sobre microcervejarias artesanais com Elisane Grecchi, do Seringal Bier, e Jéssica Rodrigues, da Cervejaria Xaraés. Ouça na íntegra!

 

 

Qual é a sua história com a cerveja?

 

Para aquecer nosso bate papo, perguntamos às convidadas do Mato Grosso e Acre para contar por que escolheram entrar no universo cervejeiro.

 

Jéssica em 6’53”: Nossa história começou lá em 2017, nossa família é de agrônomos e eles resolveram fazer produtos biológicos para lavoura. E aí eles foram numa palestra e nessa palestra, alguns dos professores que eram de Minas, disseram que alguns dos equipamentos eram os mesmos equipamentos usados para fazer cerveja. […] Nisso, meu pai experimentou a cerveja que o professor fazia, aí ele amou e aí chegou em casa e conversou com meu irmão e meu irmão disse que ele tava de graça. Meu irmão acabou indo na próxima visita com meu pai, e os três [junto com o professor] beberam cerveja e, realmente, meu irmão se encantou. E aí o professor disse que íamos ficar com os equipamentos parados por um tempo e perguntou “por que vocês não fazem cerveja também?” e começou aí.

 

Jéssica explica que a primeira grande produção foi feita no dia do carnaval de 2019.

 

Elisane em 10’10’’: Eu vim morar no Acre em 2006 e minha formação não tinha nada a ver com o caminho cervejeiro até então. Era advogada, prestei concurso público e vim parar no Acre. […] Eu gosto muito de cozinhar e a partir do ano de 2010 veio essa tendência da cerveja artesanal em casa, e muita gente acabou pegando interesse pelo assunto. Até que em 2017 eu comecei a comprar todo o equipamento pra poder fazer em casa, sem pretensão profissional, apenas pro meu consumo, então eu tinha uma panelinha de 50 litros porque eu me apaixonei e me encantei, mas meu estudo era só pra melhorar a cerveja que eu consumia. Só que aquilo foi me arrebatando de uma maneira que eu não queria mais fazer outra coisa. 

 

O marido de Elisane, com uma visão empreendedora, entendeu que tinham muitas pessoas que queriam comprar sua cerveja. A partir disso, o casal pensou na possibilidade de virar um negócio e investir na produção de cerveja. Em 2019 a seringal inaugurou como brew pub, onde pessoas visitam e degustam petiscos enquanto bebem cerveja.

 

O que levou a urgência de criar microcervejarias artesanais?

 

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Elisane em 18:54: Eu conversei com alguns consultores na época e conhecia muitos nomes da cerveja no brasil e muitos deles me estimularam na época a fazer. Mas eu já estava decidida. Não existia e não existe ainda outra cerveja micro artesanal no Acre e foi uma grande surpresa.[…] As pessoas veem muita dificuldade de investir aqui e nós viemos pra provar que não, que o Acre está preparado para receber novidades e é um público curioso.

Jéssica em 20’33’’: Aqui em Mato Grosso, a gente já tinha algumas poucas [cervejas micro artesanais], então a gente já tinha alguma referência. Hoje é muito grande o público. A gente vê tudo quando vai a festivais. A fábrica fica em Chapada por conta da qualidade da água. Lá a gente já tem a água praticamente pronta. Escolhemos lá porque é cidade turística e o pessoal teria um pé atrás por ser uma cerveja diferente. […] A gente não sofreu muito não, foi mais em termos de investimento. 

 

Sobre a curiosidade do povo acreano:

 

 

Elisane em 25 ’26”: O povo acreano é um povo muito receptivo, então diferente do que a gente vê em algumas regiões do brasil onde tem tradição e são mais fechados para negócios de fora, aqui não. Aqui tá crescendo muito. Quando eu cheguei no Acre, em 2006, a cidade do rio branco aumentou muito os habitantes, tem muitos nordestinos, têm muita influência árabe e muita gente do Sul. Então a gente tem uma miscigenação muito grande de culturas e é um povo aberto. 

 

E a cena cervejeira no Mato Grosso:

 

 

Jéssica em 28’13’’: Acho que o pessoal está se remodelando. Está aprendendo a tomar coisas diferentes, comprando coisas diferentes para experimentar. Vão ao mercado comprar cervejas diferentes, de minas ou do sul, pra experimentar mesmo, conhecer e ter essa experiência. Logicamente que a venda do barril aqui é muito mais a american lagger, mas a questão de bar, a american lagger continua ganhando, mas a hop lagger tá em 20% da nossa venda.

 

E a concorrência das microcervejarias?

 

 

Elisane em 30’59’’: Aqui em Rio Branco a gente tem a Louvável, mas ela não tem fábrica aqui. Eles têm uma estrutura de distribuição. E temos uma outra cervejaria comercial que só produz pielsing, não tem uma variedade e é grande escala. Cervejaria artesanal ainda somos só nós em Rio Branco.

Jéssica em 32’12’’: Tem bastante concorrência aqui sim. Como Mato Grosso é muito grande, a do interior não interfere muito em Cuiabá. Mas aqui em Cuiabá forte tem 4 ou 5, lógico que a louvada sendo a mais antiga delas, a pioneira. E assim, temos essas 4 ou 5 e tem 2 que fazem para atender mais o bar deles, e tem a gente, a louvada e mais 2 que atende a delivery. O crescimento está bem grande em Mato Grosso.

 

Maiores desafios de abrir uma microcervejaria?

 

 

Jéssica em 34:43: Acho que o maior desafio de todos foi a mão de obra e acho que ainda tem [esse desafio]. Tanto que nosso mestre cervejeiro é de Minas, nosso cara da brassagem também é de Minas. Então a gente foi catando, né. […] Uma das coisas que nos atrapalha bastante é o frete, né, o preço, mas o que mais atrapalha é a mão de obra.

Elisane em 36:16: O primeiro desafio foi a implementação da cervejaria com toda a regularização. Então já inauguramos com mapa e toda documentação legalizada, porém eu não tinha ninguém aqui que pudesse me ajudar nesse sentido. Então foi mais de um ano que tive que procurar esses caminhos. Nós, por exemplo, não tínhamos um fiscal de mapa para averiguar minha fábrica. Então teve que vir um fiscal de Belém de Pará pra dar o okay. A segunda parte, mais difícil, foi a financeira. 

 

 

Para finalizar, e o envase?

 

Jéssica explica que trabalha com barril de 20l, 30l e 50 litros, e além disso, aposta nos growlers e latas de 453ml por ser um método que mantém qualidade das cervejas não pasteurizadas e é sustentável. Elisane também trabalha com barril e growler pet reutilizável, também por questões sustentáveis. “A gente quer que as cervejas mantenham as propriedades orgânicas delas”, diz a fundadora da Seringal.

 

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👉Ouça também Surra de Lúpulo: Cervejaria Local com Pedro Miranda e Rafael Leal

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🍺 O que bebemos durante o programa? Elisane bebe cerveja pielsing tradicional, Jéssica bebe American Lagger, Ludmyla bebe Funky Ipa, da Fumaçônica, e Leandro bebe session Ipa feita pelo Kléber.

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Toda quinta-feira um episódio novinho em folha falando sobre tudo relacionado a cerveja no Brasil e o Mundo.