Podcast “Surra de Lúpulo”, ep. 13: John e Calote, donos da cervejaria “Juan Caloto”, destacam importância do crowdfunding e do storytelling para a marca

John e Calote, donos da Juan Caloto, falam sobre crowdfunding e storytelling

No episódio 13 do nosso podcast sobre cervejas artesanais, Surra de Lúpulo, Felipe e Marcelo, mais conhecidos como John e Calote, donos da cervejaria “Juan Caloto”, destacam importância do crowdfunding e do storytelling para a marca.

Origem dos apelidos

Felipe conta que o apelido veio da infância por conta do cantor John Lennon. Já o ilustrador e cervejeiro Marcelo, conta que a origem da alcunha veio de um calote que ele deu em um amigo veterano na época da faculdade.

Como tudo começou

Bacharel em química pela USP, John já tinha certo conhecimento sobre as reações que ocorriam no processo, mas nunca tinha acompanhado a fabricação de uma cerveja. Pediu dicas a Calote e começaram a produzir craft beers juntos, trocando informações. Mandaram uma amostra da bebida para o dono de um bar que pediu na mesma hora 100 garrafas. Sem condições de comercializar o produto naquele momento, fizeram um evento fechado com uma produção de 60 litros. Os amigos precisavam de um nome para cerveja, e a sugestão recebida pelo próprio dono do bar foi “John Calote”, uma alusão à marca “Johnnie Walker”. A união dos dois apelidos foi adaptada para “Juan Caloto”.

Sucesso inicial e Crowdfunding cervejeiro

Os dois perceberam que seria impossível vender numa escala maior produzindo em casa e precisavam expandir a produção para uma fábrica. Através do “Social Beers”, uma plataforma de crowdfunding exclusiva para fins cervejeiros, montaram o primeiro projeto para transformar uma cervejaria caseira em uma cigana, produzindo o primeiro lote comercial.

Na época, a “Júpiter” e a “Urbana” já estavam trilhando o caminho cigano e os dois consideraram uma boa opção. No entanto, não contavam com a capacidade mínima de 2.500 litros por tanque, sendo que a forma mais segura de produzir essa quantidade foi vender os lotes antes de produzir através do crowdfunding. Com 90 dias para vender 1250 litros, ambos pretendiam ficar com metade da produção, mas em apenas 10 dias todo o estoque tinha sido vendido.

“No lançamento nem a gente tinha a cerveja em casa, conseguimos umas seis para cada um. Se a gente quisesse levar para outros amigos provarem, tínhamos que comprar”.

Conceito da marca e o tal ‘Velho Oeste’

Leandro quis saber um pouco mais sobre o contexto “Velho Oeste” presente na marca. A dupla conta que resolveu usar a ideia do western por gostar do estilo de filmes e achar que o nome Juan Caloto lembrava “um bandoleiro mexicano foragido no Texas”. A partir disso, desenvolveram a temática. Os cervejeiros contam que trocavam muita informação sobre filmes do gênero e também sobre cantores de blues enquanto trabalhavam nos processos cervejeiros.

“Tinha que ser algo que os dois gostassem, tinha que ter alma. Ou seria inspirado em blues ou em western”.

Calocci conta que para criar o personagem que estampa os rótulos da fábrica, mesclou os rostos dos 2 sócios com outros elementos, justificando os olhos tortos e o nariz grande inspirado em John, segundo Calote. Para eles, a cerveja também deve ser uma forma de diversão.

Crowdfunding 2.0

Nossos convidados falaram sobre o segundo crowdfunding, lançado durante a pandemia. Após uma ótima experiência com o primeiro projeto, descobriram a plataforma “Catarse” e começaram o processo de divulgação. Segundo eles, o intuito era conseguir ter uma segurança nesse período e para os clientes, um bom produto com um preço melhor. O e-commerce competiria diretamente com os PDVs, seus principais parceiros que já usavam o formato. O segundo projeto, com prazo mais curto do que o primeiro, de apenas 5 dias, teve sua meta alcançada em 24 horas.

“A gente não queria quebrar a cadeia de suprimentos e o crowdfunding foi uma forma de conseguir sobreviver sem prejudicar quem também estava tentando vender. Os donos de bares também começaram a entrar em contato nos apoiando“.

Lud lembrou do papo com Jessica sobre a canibalização entre as cervejarias e os PDVs no período de pandemia, a maioria apenas no intuito de conseguir sobreviver.

Relembre o papo com Jessica

Aproveitamos para perguntar sobre as “Bolachitas de Cuero” vendidas no projeto. Eles contam que o copo e a camiseta eram exclusivos do projeto e não serão mais fabricados. Mas as bolachas em breve estarão de volta.

Storytelling

Sobre storytelling, recurso bastante utilizado por eles através dos rótulos, pedimos alguns nomes que ajudam a contar essa história. A dupla conta que quando faz a cerveja já pensa no nome do rótulo e na estória que vai contar. John ouviu em uma agência onde trabalhou que ‘se eles não criarem nenhuma estória, o consumidor iria inventar uma’.

Os dois falam sobre o último rótulo, “O Retumbante Retorno de Karina Cristina”, continuação de uma série que começou com “El Segredo de Karina Cristina – #1”, “El Segredo de Karina Cristina – #2”, “Por Trás de la Máscara de una Mujer – Karina Cristina #3”. A moça, filha do xerife da cidade, se disfarça de “Bandoleiro Vingança” para salvar os outros parceiros que o pai prendia. Também é o segundo nome das esposas dos sócios, que se mostram orgulhosas da própria cerveja.

“A ‘Vingança’ foi um “momento vai ou racha”. A gente não estava conseguindo tocar a produção e nos endividamos. Tínhamos mais um único tiro e arriscamos uma Double IPA Sour. Deu certo. Era nossa ‘vingança’”.

O que está por vir?

A dupla fala sobre o rótulo “Paco Puede Esperar”. Paco é capturado e o bando do Juan Caloto se junta num saloon pra bolar um plano e resgatá-lo. Lá é servida uma cerveja muito boa e Caloto diz que “Paco Puede Esperar”. O novo lançamento da marca dará continuação à história que contará com Juan bebendo no saloon e sendo surpreendido por Paco, que conseguiu se libertar sozinho.

Puro Malte

Lud lembrou do papo com Júnior Bottura da “Cerveja Avós” sobre a polêmica do puro malte. Para eles, não adianta o malte ser puro se for ruim. Se a matéria prima tiver qualidade, importa muito mais.

Relembre o papo com Júnior Bottura da “Cerveja Avós”

“Se o raciocínio for uma produção de qualidade, por mais que você tenha que olhar o custo e deixar a cerveja acessível, você prioriza e preserva o aroma, a oxidação e tudo isso é sensorial, não é planilha”.

Para acompanhar nosso papo, Lud bebeu uma Bruges da cervejaria “Cevaderia”, Leandro escolheu uma Mordamir da cervejaria “Hocus Pocus” e Marcelo uma La Fuga del Black River Jail da “Juan Caloto”.

Surra de Lúpulo

Surra de Lúpulo

Toda quinta-feira um episódio novinho em folha falando sobre tudo relacionado a cerveja no Brasil e o Mundo.